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‘Capitalismo de Estado não dá certo numa democracia’, diz Levy

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, defendeu nesta segunda-feira, 16 o ajuste fiscal do governo

Dilma. "Se a gente fizer o ajuste de forma rápida, de verdade e no tamanho necessário para estabilizar

a dívida, as pessoas vão sentir o chão firme para voltar a tomar risco", afirmou em palestra na

Associação Comercial de São Paulo. Levy ressaltou que é importante que as condições da economia

sejam oportunas para que o setor privado possa atuar, investir e empregar pessoas, especialmente

com confiança sobre a perspectiva do País. "Capitalismo de Estado não dá muito certo para uma

democracia", disse. Segundo ele, o governo está trabalhando para evitar cenários econômicos que

justifiquem as agências de rating rebaixarem a classificação de risco dos títulos do Brasil. "Estamos

trabalhando para evitar cenários de downgrade e inflação alta", disse. O ministro afirmou que o

ajuste fiscal é crucial para o Brasil voltar a crescer. "Só podermos entrar nessa etapa (de retorno do

crescimento), se a primeira (etapa, a do ajuste) estiver pronta", afirmou. Levy disse que é importante

não ter medo do ajuste. "Se a gente fica com medo, vamos ter problemas", afirmou.

O ministro ainda parafraseou o economista Nouriel Roubini. "Como disse Roubini, quem não quer

ajuste (fiscal) é suicida, ou quer jogar bomba para outro", comentou. O comentário faz referência

a uma entrevista que Roubini deu à Folha de S.Paulo, em que disse que "se a presidente não for

irracional ou suicida politicamente, e não acho que ela seja, o ajuste será feito."

Levy afirmou que o governo está trabalhando não só no ajuste fiscal mas em outras frentes. "Acho que

é importante vocês entenderem que estamos trabalhando", afirmou, citando iniciativas para estimular

as pequenas e médias empresas e as concessões. "Trabalhamos nos diversos setores para a economia

voltar a crescer", disse. Ainda segundo Levy, os cortes no orçamento de despesas discricionárias tem

sido muito forte e que ele vai ficar mais claro, talvez, quando o Orçamento for votado. "O que importa

é quanto eu deixei de gastar e o governo teve grande disciplina nessa área", destacou o ministro. Para

Levy, o governo está priorizando gastos e cada ministro é informado de quanto dispõe. "A presidente

Dilma validou que vamos gastar o que foi gasto em 2013, disse Levy, afirmando que o governo vai

fazer uma simplificação do PIS e Cofins." De acordo com ele, essa mudança é muito importante para a

indústria e vai trazer transparência na carga do setor. "Isso vai gerar mais velocidade para quem tem

crédito e será bem mais automático", disse o ministro.

Juros. O ministro disse que a maneira de ter juros mais baixos é as pessoas olharem e perceberem

robustez na economia. Aí, segundo o ministro, a dívida pública vai cair. Para ele, o que faz os juros

serem baixos é a poupança.

Levy ressaltou, no entanto, que no ano passado que a poupança foi da ordem de 13% do PIB e que

pode ter caído para 12% neste ano. "Com poupança de 12% do PIB a gente vai ter juros mais baixos?

Se quero financiar concessões tenho que poupar um pedaço para investir nisso. Depois fica mais fácil

trazer poupança de fora para financiar a infraestrutura", disse o ministro, reforçando que não há razão

para o País não conseguir fazer isso. De acordo com Levy, se o Brasil tem uma economia de iniciativa

privada é preciso dar o mínimo de segurança ao empresário. "Tem que olhar e dizer: Esse negócio vai

dar certo e quero colocar mais (dinheiro) nessa parada. A ideia de que o governo não cortou gastos

tem que ser bem olhada", afirmou o ministro, acrescentando que o governo fez uma programação

de gastos muito forte. Para Joaquim Levy, as medidas adotadas pela presidente Dilma Rousseff não

são apenas medidas, mas uma forma de a economia brasileira se ajustar a uma nova situação da

economia mundial (pós crise mundial de 2008). "As medidas (que estão sendo substituídas) foram

adotadas em um momento em que se falava em medidas anticíclicas", disse Levy, acrescentando que

tais medidas não eram permanentes porque não se sustentavam do ponto de vista fiscal. Segundo

ele, em 2009 o Brasil tinha espaço fiscal para poder pensar em política anticíclica (quando o governo

gasta mais recursos). De acordo com Levy, a presidente Dilma Rousseff está "absolutamente tranquila

e confortável em relação às medidas que estão sendo adotadas". Vale ressaltar que o ministro Levy

nunca mencionou tantas vezes, como fez hoje, o nome da presidente Dilma Rousseff nos seus discursos

anteriores. "É claro que algumas medidas tem que ser consultadas ao maior sócio do governo, que é o

Congresso", disse. Ele afirmou que o governo está dialogando como Congresso.

 

 

Fonte: Estadão