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Desta vez, aluguéis não pressionam a inflação

A queda abrupta dos preços de aluguéis de residências e de escritórios nas grandes cidades brasileiras mostra bem a intensidade do desaquecimento da economia. No período de 12 meses findo em janeiro, o valor médio do preço inicial de aluguel pedido pelos locatários subiu em média 2,38% por m² em nove cidades pesquisadas, segundo o Índice FipeZap de Preços de Imóveis Anunciados. Isso significa que o valor dos novos contratos recuou 4,65% em termos reais.

Além da desaceleração da economia, outro fator comprimiu os preços. A oferta de imóveis para alugar cresceu durante o boom imobiliário que se estendeu de 2009 ao início de 2014. Neste período, o valor médio dos imóveis em 11 regiões metropolitanas subiu 121%. Em consequência, os aluguéis dispararam.


Agora há acomodação dos preços. Em São Paulo, a situação é a pior. Em 12 meses até janeiro, o valor do aluguel por m² subiu 1,60% (no Rio de Janeiro, o aumento foi de 2,31%).


A perda para os investidores é sensível, em comparação com outras aplicações financeiras. Contratos firmados em anos anteriores e ainda em vigor asseguram rendimento maior para o aplicador. Mas, na renovação, o locatário terá maior poder de barganha.


Essa evolução tem dois pontos positivos. O encarecimento dos preços dos imóveis nas grandes metrópoles afetou parte da classe média. Em São Paulo, muitas famílias das classes B e C se viram obrigadas a deixar bairros bem localizados e se mudarem para bairros mais distantes. Já a população de mais baixa renda foi empurrada para regiões mais periféricas e carentes de serviços públicos.


O alívio para os locatários pode reduzir a procura de financiamentos para a compra de casa própria, que ficaram mais caros por causa da alta dos juros. Isso tende a reduzir a procura por imóveis do Minha Casa, Minha Vida, programa que poderá ser afetado também pelo ajuste das contas do governo federal.


A queda nos preços dos aluguéis pode ajudar a amortecer a alta do custo de vida. Durante o boom imobiliário, os aluguéis foram a maior fonte de pressão no grupo Habitação, que tem peso de 14,61% na ponderação para o cálculo do IPCA. Esse grupo inclui as tarifas de energia elétrica, em alta desde o ano passado. Em 2014, o grupo Habitação teve alta de 8,8%, puxada justamente pelo aumento das contas de luz.


Mas a queda do aluguel é uma singularidade nesta fase de recrudescimento da inflação.