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Haddad espera R$ 5,2 bilhões com 1ª operação urbana em São Paulo

O primeiro projeto urbanístico do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), terá potencial para render R$ 5,2 bilhões ao caixa do Município. Iniciada na gestão passada, a Operação Urbana Mooca-Vila Carioca, rebatizada pelo petista de Arco Tamanduateí, será apresentada neste semestre à Câmara Municipal com o objetivo de transformar oito bairros localizados ao longo do rio de mesmo nome, em um perímetro de 6 milhões de m² entre as zonas leste e sul.

Em fase final de desenvolvimento, a proposta abrange trechos degradados do Parque da Mooca, Cambuci, Mooca, Ipiranga, Vila Carioca, Vila Prudente, Vila Zelina e Henry Ford. A ideia é que todos os bairros recebam melhorias viárias, equipamentos públicos, como parques e escolas, e, principalmente, novos moradores. O plano é ousado: elevar a população em 180%, passando dos atuais 139,6 mil para 391,5 mil habitantes, em até 30 anos.


Ao mesmo tempo também é meta de Haddad elevar o porcentual de empregos oferecidos na região. A expectativa é de que o projeto possa aumentar a participação de empresas nos oito bairros selecionados, alcançado um total de 100 mil novas vagas - alta de 45%.


Antiga fábrica da Antarctica. Área terá prédios e centros culturais, segundo secretário


Para viabilizar o projeto, a gestão Haddad terá de lançar mão da venda de Certificados de Potencial Adicional de Construção, os chamados Cepacs. São títulos vendidos pelo Município a construtoras que têm interesse em construir mais do que o permitido pela Lei de Zoneamento, desde que em área de intervenção urbana, como será o caso do Arco Tamanduateí. Essa comercialização é que tem potencial, segundo a Prefeitura, para reforçar os cofres.


Em troca da liberação de espigões ao longo do rio - o potencial de construção previsto para a área é de 6, ou seja, permite construir seis vezes o tamanho do terreno -, a Prefeitura promete realizar uma série de contrapartidas. A maior fatia promete ser destinada à construção de habitação popular, à reurbanização das 16 favelas existentes na região e à instalação de 112 equipamentos sociais.




  1.  O projeto em desenvolvimento prevê a instalação de torres comerciais e residenciais em substituição aos galpões sem valor arquitetônico da Mooca, mas dotados de valor histórico - alguns datam do fim do século 19. “A história de São Paulo se confunde com a história da Mooca. É preciso preservá-la e não só planejar novos prédios”, diz a presidente da Associação Amo a Mooca, Crescenza Giannoccaro.


Moradora do bairro há mais de 50 anos, dona Zina, como é conhecida, defende que os galpões sejam transformados em centros de esporte ou cultura. “Já propusemos isso várias vezes, mas só o boom imobiliário tem sucesso.”


Segundo o secretário de Desenvolvimento Urbano, Fernando de Mello Franco, a ideia é aproveitar as construções para finalidades culturais, mas não só isso. “Dividimos a área em quatro grupos. A intenção é que parte seja substituída por empreendimentos, parte destinada à atividade logística, industrial e cultural”, disse.