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Mercado de novos recua no 1º trimestre

SÃO PAULO - O primeiro trimestre apresentou retração de 26,56% no número de unidades residenciais lançadas na cidade de São Paulo em relação ao ano passado. De acordo com dados da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), 3.908 novos imóveis foram colocados à venda na capital, resultado superior, nos últimos cinco anos, apenas ao verificado no mesmo período de 2012. "Nesse resultado,há um pouco da desconfiança dos incorporadores(com os rumos da economia).

Mesmo com projetos aprovados, eles estão segurando lançamentos. Mas já se começa a falarem índices antecedentes melhores", pondera o economista chefe do Sindicato da Habitação de São Paulo(Secovi-SP), Celso Petrucci. O resultado para 2014 já foi pior.No acumulado do até fevereiro, o recuo no números de unidades lançadas chegou a 45,36% ante o primeiro bimestre do ano passado, após um resultado fraco nos lançamentos: 940 novos produtos. Em março, a situação melhorou. A capital recebeu 2.555 imóveis no mês, o que representa crescimento de 88,83% na comparação com os desempenhos de janeiro e fevereiro somados.

Em relação ao terceiro mês de 2013, no entanto, houve queda de 10,19% na quantidade de novos produtos imobiliários. Petrucci avalia esse dado com otimismo, lembrando que a ocorrência do carnaval em março (o dia 1º coincidiucom o sábado do feriadão) prejudicou os dois primeiros fins de semana do mês. "Tivemos praticamente três semanas para lançar. Na prática, março foi menor até do que fevereiro."

Ainda é não é possível dizer, segundo ele, se as projeções do Secovi-SP para os lançamentos do ano se manterá com tendência de estabilidade. A entidade espera avaliar até a semana que vem os dados de vendas de unidades novas na cidade– a expectativa é de que haja um crescimento em março em relação às 981 comercializadas em fevereiro como um efeito do aumento do número de lançamentos e dos investimentos em marketing e promoção."As pessoas estão demorando muito mais para decidir pela compra", diz.

Compactos. Os imóveis de até um dormitório mais uma vez roubaram a cena entre os lançamentos paulistanos. Tanto em março, com 1.066 unidades, quanto no acumulado do ano,com 1.333,o segmento teve o melhor desempenho desde 2010.

Já as residências de quatro ou mais dormitórios, considerando também o mês e o ano, tiveram o desempenho mais tímido: 81 e 194 unidades lançadas, respectivamente. "O segmento de um dormitório vem aumentando porque ainda existe um déficit de oferta na cidade e porque há o que eu chamo de ‘novaiorquização’ de São Paulo. Muitas famílias precisam, hoje, se mudar para perto do trabalho, as pessoas se casam mais tarde, têm filhos mais tarde. Então, os casais podem viver em um apartamento menor", diz professor Ricardo Rocha Leal,do curso de pós-graduação em negócios imobiliários da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap).

A proposta do lançamento Estação Gabriele, da incorporadora OR - Odebrecht Realizações Imobiliárias, é o de atender justamente os consumidores em busca de mobilidade. O edifício, lançado em março no Campo Belo, está a cerca de 90 metros de duas futuras estações do metrô que serão interligadas – uma do monotrilho da zona sul e outra da linha 5-lilás."São estúdios e apartamentos de um dormitório com suíte, pensando nesse público mais jovem da região, que antes teve muita oferta de apartamentos maiores", diz o diretor de incorporação da companhia, Flávio Lotaif.

O produto, reunindo 398 unidades dos 1.066 lançados no mês, teve 20% de suas unidades vendidas até meados de abril. "As pessoas estão pesquisando mais, mas elas estão muito receptivas. Elas avaliam outras opções e acabam voltando", diz.

Comumente líderes do mercado paulistano, os imóveis de dois dormitórios somaram 794 novos produtos no mês de março e ficaram em segundo lugar no ranking mensal de unidades lançadas. No acumulado de 2014, eles ainda estão na frente, com 1.377 unidades ofertadas, embora este resultado represente queda de 45,88% em relação ao trimestre de 2013. Os novos imóveis de três dormitórios, por sua vez, reuniram 614 produtos em março, contabilizando 1004 ao todo no trimestre, redução de 8,89% frente ao mesmo período de 2013. O imóvel colocado à venda nos estandes em março na capital tem, em média, 59,80 m². O metro quadrado dos lançamentos está avaliado em R$ 10.442.

Fonte: Estado de São Paulo